Você fala sobre rivalidades no esporte, e a maioria das pessoas menciona Yankees-Red Sox ou Lakers-Celtics. Coisas boas, claro. Mas nada, e eu digo nada, captura tão bem o veneno, a história, o drama puro e não adulterado como El Clásico. Barcelona vs. Real Madrid não é apenas um jogo; é um marco cultural, um proxy político e, por 90 minutos, o centro do universo futebolístico. E embora os nomes mudem, as apostas raramente o fazem.
Todos nós conhecemos as lendas. Alfredo Di Stéfano chegando a Madrid, uma mudança ainda debatida em tons sussurrantes. O giro de Johan Cruyff, um momento de genialidade balética. E, claro, a era Messi-Ronaldo, que, sejamos honestos, nos estragou. Lionel Messi, com seus 26 gols em Clásicos, incluindo 18 na La Liga, está sozinho no topo da tabela de artilheiros. Cristiano Ronaldo, apesar de todos os seus feitos heroicos, marcou 18 em todas as competições pelo Madrid, um número verdadeiramente notável, considerando que ele jogou menos jogos. O duelo pessoal deles de 2009 a 2018 elevou um clássico já épico a níveis estratosféricos. Lembra daquela temporada 2012-13, quando ambos marcaram em seis Clásicos consecutivos? Aquilo foi simplesmente absurdo.
Mas sejamos realistas, a última década viu algumas mudanças sísmicas. A situação pós-Messi, pós-Ronaldo ainda está se firmando, mas os jogos continuam cativantes. Pegue outubro de 2018, por exemplo. Uma goleada de 5 a 1 para o Barcelona no Camp Nou, com Luis Suárez marcando um hat-trick. Sem Messi naquele dia, fora com um braço quebrado, e o Madrid parecia completamente perdido. Esse resultado selou efetivamente o destino de Julen Lopetegui como técnico do Real Madrid, durando apenas 14 jogos. Avançando para março de 2019, o Barça vence por 1 a 0 no Bernabéu graças a um gol de Ivan Rakitić. Isso lhes deu uma vantagem de 12 pontos sobre o Madrid na La Liga, essencialmente encerrando a corrida pelo título no início de março.
Então a COVID chegou, e as coisas ficaram estranhas. O primeiro Clásico a portas fechadas foi em outubro de 2020, uma vitória do Real Madrid por 3 a 1 no Camp Nou. Federico Valverde marcou cedo, Ansu Fati empatou, mas um pênalti de Sergio Ramos e um toque de Luka Modrić selaram a vitória para o Madrid. Pareceu… vazio, sem o rugido da multidão. Abril de 2021 nos deu outro gostinho do estranho novo mundo, com o Madrid vencendo por 2 a 1 em casa. Karim Benzema marcou um gol de calcanhar ridículo, Toni Kroos adicionou um chute desviado, e Oscar Mingueza diminuiu para o Barcelona. O Madrid terminou aquela temporada com 84 pontos, dois a menos que o eventual campeão Atlético.
A saída de Messi em agosto de 2021 deixou um buraco enorme no Barcelona. O primeiro Clásico sem ele, em outubro de 2021, viu o Real Madrid vencer por 2 a 1 no Camp Nou, com David Alaba marcando um golaço e Lucas Vázquez adicionando um segundo. Sergio Agüero marcou seu primeiro e único gol pelo Barcelona nos acréscimos. Parecia o fim de uma era, e foi. Embora, alguns meses depois, em março de 2022, o Barcelona de Xavi tenha aplicado uma impressionante goleada de 4 a 0 no Real Madrid no Bernabéu. Pierre-Emerick Aubameyang marcou duas vezes, Ronald Araújo e Ferran Torres fizeram os outros. Esse resultado, apesar de o Madrid ter eventualmente vencido a La Liga por 13 pontos, mostrou lampejos do que Xavi estava tentando construir.
É o seguinte: embora o Barcelona possa estar ligeiramente à frente no confronto direto geral com 125 vitórias contra 111 do Real Madrid (incluindo amistosos e jogos de exibição), e 99 vitórias na La Liga contra 77, são as recentes oscilações do pêndulo que realmente definem a rivalidade. Na temporada passada, vimos os dois lados trocarem golpes. O Real Madrid venceu por 3 a 1 no Bernabéu em outubro de 2022, com Benzema, Valverde e Rodrygo na súmula. O Barcelona se vingou em março de 2023, vencendo por 2 a 1 no Camp Nou, com Franck Kessié marcando um dramático gol da vitória aos 92 minutos. Esse resultado efetivamente garantiu o primeiro título da La Liga do Barcelona desde 2019.
Isso não é apenas sobre pontos na liga. Na semifinal da Copa del Rey em abril de 2023, o Real Madrid desmantelou completamente o Barcelona por 4 a 0 no Camp Nou, uma partida em que Karim Benzema marcou um hat-trick. Aquilo foi uma declaração séria, e um lembrete claro de que mesmo um Barça campeão da liga poderia ser desfeito no maior palco. Minha opinião? As disparidades financeiras entre os clubes estão começando a aparecer. Os problemas econômicos do Barcelona significam que eles estão frequentemente comprando em uma prateleira diferente do Madrid, que ainda pode realizar uma transferência de Jude Bellingham por mais de €100 milhões sem pestanejar.
O futuro do El Clásico, apesar da ausência de talentos geracionais como Messi e Ronaldo, permanece brilhante porque a própria rivalidade é a estrela. Sempre foi.
Falando sério: A próxima década do El Clásico será definida por se o Barcelona conseguirá desafiar consistentemente o poder financeiro do Real Madrid e realizar outro milagre semelhante às eras Ronaldinho ou Messi.